sábado, maio 14


Consultório – Finalmente, a primeira consulta!


Consultório – Finalmente, a primeira consulta!



-Você está pronto? Pegou tudo o que eu disse?

-Peguei, Lili.

-Ligou para o Shura, como eu tinha mandado?

Mú olha de esguelha para a ficwriter, com uma raiva nitidamente contida.

-Você não me mandou ligar para ele, mas eu liguei por conta própria.

-Lógico que mandei! – Esbraveja.

-Lili, não discuta; o importante é que eu não consegui falar com ele.

-Como não?

-Bom, o modo mais fácil de encontrar o espanhol é através do telefone da Faye, mas nem assim eu achei. Deixei mensagem na secretária eletrônica, na caixa postal do celular dele, e nada.

-Bom, tudo bem, vai, a Faye ia me matar... O Miro e o Kamus vão estar lá mesmo... Aliás, você ligou pra eles, né?

-Claro. – Responde, entediado.

-Então vamos.

Mu segura na mão de Lili, que estava com uma mochila nas costas, assim como ele, e logo ambos estavam na porta da casa da Caliope.

-Por que você não teleportou a gente lá pra dentro logo de uma vez?

-Porque achei que seria mais educado tocar a campainha? – Responde, irônico.

-Tá, então toca logo!

Bééééé... – Tocaram uma. - Bééééé... – Duas. - Bééééé... – Três...

Finalmente um Miro muito mal humorado abre a porta.

-Mas como você demoraram, hein?

-Ela ainda foi fazer escova no cabelo.

-Mu! Calado! – Lili fica vermelha.

-Entrem logo, vai. A Caliope está na frente do computador, divagando sobre a comida grega, xingando em todas as línguas que ela conhece.

-Zeus, me ajude. – Lili sussurra.

-Foi você que inventou isso. Agora agüente. – Mu retruca, e Lili ignora.

-Miro, cadê o Kamus?

-Não sei.

-Como não sabe? – Ela se exaspera.

-Não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe. Talvez ele esteja fazendo massagem nela, já que é o preferido mesmo...

-Ah não! Além de uma ficwriter paranóica eu vou ter que aguentar um escorpião ciumento?

-E um francês estressado. – Completa Kamus, que aparece de repente.

-Bom, vamos logo acabar com essa tortura.

Lili entra no quarto da Caliope, sendo seguida pelos três cavaleiros. Ela, tão compenetrada no computador, mal nota. Lili fica feliz em ver que há uma cama ali mesmo, e, por isso, não vai precisar leva-la até outro aposento.

-Caliope, anda, deita na cama.

-Oi Lili, tudo bem? – Ela a cumprimenta, irônica, mas em tirar os olhos da tela do computador.

-Anda vai, vamos resolver logo essa pendenga. Eu tenho que acabar de responder a entrevista do MIPS.

Caliope, bem mal humorada, deita na cama. Miro solta uma piadinha no ouvido do Mu, sobre a suposta competência da Lili, e ele não contém um sorrisinho.

-Primeiro bebe isso aqui.

Lili retira uma garrafinha térmica da sua mochila. Deposita um líquido levemente fumegante verde no copinho, e entrega nas mãos da ‘paciente’.

-Você tá brincando comigo?

-Não, não tô. Bebe.

-E qual é a procedência disso aqui?

-Hum... Bom... Foi o Mu que fez. É pra você relaxar.

Na mesma hora Mu lança um olhar de censura para a Lili, que dizia claramente ‘sua mentirosa’. Mas ela o cala com uma ordem telepática.

-Bem... se foi o Mu... Afinal, ele é o cavaleiro mais responsável, não é verdade? – Caliope bebe o tal líquido, fazendo careta. Miro contém uma gargalhada. – Credo, isso tá horrível. Vocês poderiam ter colocado açúcar!

-Valeu pelo aviso, na próxima eu coloco.

Em menos de um minuto, Caliope sente-se mole, o quarto rodando, e apaga. Os 3 cavaleiros ficam em polvorosa, indignados.

-O que você fez com ela? – Cobra Kamus, irritado.

-A Lieblichkeit me deu uma idéia.

-Que idéia?

-Usar a hipnose.

Os três ficam mudos, cobrando explicação.

-Eu não sei hipnotizar ninguém, óbvio, e por isso pedi esse chazinho pro Dite.

-Justo pro Afrodite? – Os três exclamam, em uníssono.

-E eu ia pedir pra quem? O Shaka não quis fazer! – Ela ignora os olhares espantados, e senta-se na cama, do lado da Caliope. – Bom, se der certo, ela vai abrir os olhos quando eu bater palma, e ser sincera em tudo o que responder, e ponderar corretamente tudo o que eu disser. Talvez haja alguns efeitos colaterais, mas é só depois que ela voltar ao normal.

-Efeitos colaterais? – Kamus pergunta, realmente preocupado.

-Quietos, vamos ao que interessa. – Lili bate palmas, e Caliope abre os olhos, que mostram-se vidrados. – Caliope, qual seu verdadeiro nome?

-¨%$#@.

-Aê, começamos bem! – Miro exclama.

-Quem é seu preferido? O Miro ou o Kamus?

-Nenhum deles. Gosto dos dois na mesma medida; eles são o casal mais lindo de Saint Seiya.

Miro e Kamus não conseguem deixar de corar, e trocam olhares apaixonados.

-Caliope, qual é seu problema com a Santuário Times?

-Não está bom. Está vazio, sem intensidade, sem conteúdo. Me sinto enrolando, escrevendo cenas sem sustância, sem sentido para a fic.

-Tá... e por que você não quer mais escrever lemons?

A tensão de Miro e Kamus não passa despercebida.

-Porque eu escrevi um capítulo inteiro só com o lemon, e ele me deu uma dor de cabeça desgraçada. Toda hora eu achava que estava exagerando na dose, que estava ficando vulgar, e arrancava os cabelos procurando sinônimos para certos termos sexuais...

Ninguém contém os risinhos.

-E se eu te dissesse que o lemon ficou lindíssimo?

Caliope pondera alguns segundos.

-Todo mundo disse isso.

-E por que você não se convenceu?

-Não sei.

Lili bufa, impaciente.

-Isso é burrice, sabia? Cara, todo mundo gosta da fic. Todo mundo que leu o maldito capítulo 13 que você está ameaçando deletar amou. Por que raios você não acredita na opinião alheia?

-Sei lá.

Lili olha pro Mu, como se estivesse pedindo socorro, mas ele dá de ombros. Ela abaixa a cabeça, e vê o fracasso na sua frente. Ela falhou. Logo de cara. Afinal, como convencer justamente a Caliope?! O que as outras escritoras irão pensar? Que ela não presta pra nada, que nem um probleminha de um capítulo, de uma fic, ela não conseguiu resolver.

De repente, algo a ilumina. Ela fica calada alguns instantes, até que levanta a cabeça, sorrindo maldosamente.

-Caliope... Você está decidida em não escrever outro lemon a fic inteira?

-Estou.

-E pretende mesmo deletar o que escreveu no capítulo 13?

-Por enquanto, sim. Ele não me agrada.

-E se eu te disser que, caso você se recuse a escrever pelo menos mais um lemon, ou omita a cena deles no restaurante, ou o Kamus de cuequinha, eu irei mandar a Quebrando o Gelo e a Santuário Times para o seu namorado?

Caliope fica branca. Mu olha para a cara de Kamus e de Miro, buscando uma explicação. Kamus explica, baixinho.

-É, o namorado dela.

-Namorado?

-Isso.

-E ele não sabe que ela escreve? – Mu sussurra.

-Sabe.

-Então, qual é o problema?

-Ele não sabe que ela escreve yaoi.

-E se ele descobrir ele termina com ela?

-Acho que non. Mas ele consegue ser mais gozador do que o Miro.

-Ahnnnnn...

Mu entende o drama dela, que continua muda.

-Caliope, me responde. – Lili insiste.

-Isso é chantagem.

-Da mais pura. Qual é sua posição?

-... Tudo bem, tudo bem... Eu escrevo.

Miro e Kamus sorriem, bobos.

-Ótimo.

Lili se levanta, e começa a arrumar as coisas dela.

-Peraí! É só isso? – Miro a interrompe.

-Oras, problema resolvido, não é verdade?

Os três cavaleiros se entreolham. Ela continua a arrumar as coisas dela. Logo pega Mu pela mão, com a nítida intenção de ir embora.

-Mademoseille Lili, espere! E como nos a acordamos? – Kamus lembra-se de perguntar.

-Ela vai acordar sozinha em uma hora. Se ela sentir muita dor de cabeça, dêem aspirinas. E talvez ela tenha algumas alucinações, e uma certa... ahn... tensão sexual... mas não é nada que demore muito a passar. Só se protejam, pois ela pode querer agarrar um de vocês. Ou os dois, acho mais provável. Fui!

Lili aperta a mão de Mu, antes que alguém possa falar alguma coisa. Mu simplesmente levanta o ombro, em conformismo, e teleporta-os de volta ao consultório. Miro e Kamus se entreolham, inconformados; mas resolvem aproveitar a paz que é ter a Caliope naquele estado, e vão para o outro quarto. Afinal, eles precisam fazer as pazes...

RELATÓRIO CALIOPE AMPHORA


Caliope Amphora é ficwriter há mais ou menos 1 ano. Doce e inteligente, é uma escritora que não precisa de beta. Seus português é impecável, tanto na gramática quanto na ortografia.

Porém, não estamos aqui para puxar o saco dela, e sim resolver a paranóia com a Santuário Times, fic que está em andamento no Fanfiction.net. É um romance Miro e Kamus passado na Grécia, com pano de fundo jornalístico.

O ponto alto da fic são os detalhes. A trama policial e política é extremamente bem traçada; a descrição de locais que realmente existem na Grécia, comidas, ritos e outros costumes, transporta o leitor até lá; os detalhes do cotidiano de uma redação jornalística fazem com que o leitor entenda a paranóica dessa profissão; e o humor do Kamus perante o frio trouxe algumas das cenas mais engraçadas da fic.

Como a psicóloga de araque que aqui vos fala é fã de carteirinha dessa fic, ela caiu numa armadilha. Há algo para criticar na ST? Acredito que não. Talvez se os capítulos fossem mais longos, todos os leitores aplaudiriam, mas o ritmo da própria fic é jornalístico: rápido, dinâmico, fugaz, sem delongas. É esse o estilo da Caliope.

Frases curtas, adjetivos sempre muito bem colocados, descrições perfeccionistas, ‘quem, quando, onde, como e porque’. Talvez ela se enrolasse em um angst. Mas na categoria na qual ela escreve (romances com humor) seu texto está muito bem encaixado. Aliás, extremamente bem.

Só me resta uma coisa para meter o pau: sua insegurança. A Caliope é perfeccionista e detalhista, ao extremo. Suas fics são show por isso. Mas é preciso enfiar nessa cabecinha dura que eles são ótimos, sim. E ponto. A discussão acaba.

O lemon, por exemplo, foi maravilhoso. Fugir do clichê ‘beijo, pega aqui que eu pelo ali, cama‘ é difícil, e ela conseguiu com louvor. O desfile do Miro peladão entrou pra história. Não há termos chulos, cenas gratuitas, nem pornografia.

Porém, eu já disse tudo isso pra ela via MSN, milhares de vezes. E tenho certeza de que vou ter que repetir tudo isso mais algumas outras milhares. Por isso, não sei se fui feliz na minha primeira consulta. Mas, é errando que a gente aprende, e, afinal, iremos ter mais lemons e o cap. 13 vai ao ar! Próximo!


 
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Lili Psique


Lili

HPDM

Lili Psique. 22a. SP. Mushakista.

Amo conversar, escrever e ler. Pseudo-ficwriter, posto em quinhentos lugares diferentes, mas é mais fácil me achar no fanfiction.net.

Sou ainda apaixonada por yaoi/slash, portanto, já sabem o que vão encontrar...

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